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    Preparação IB · 2026

    Perguntas de Contabilidade para Entrevistas de Investment Banking

    As perguntas de contabilidade com que toda entrevista de IB começa — walkthrough das três demonstrações, capital de giro, imposto diferido, emissão de dívida e buyback. Respondidas como bankers esperam.

    Contabilidade é o piso em qualquer entrevista de IB. Se você não conecta as três demonstrações rapidamente e não consegue explicar como uma mudança de depreciação mexe o caixa, nenhuma outra resposta te salva. As perguntas são previsíveis, mas bankers testam follow-ups sem dó porque qualquer um decora fórmulas — só quem entende contabilidade segue limpo sob pressão.

    Este guia cobre as perguntas de contabilidade que de fato caem, com as respostas estruturadas que treinamos no Banking Prep AI.

    Por que contabilidade é o piso

    Bankers começam por contabilidade porque filtra rápido. O walkthrough das três demonstrações leva 60 segundos; o follow-up de depreciação, mais 90. Ou você consegue fazer limpo ou não consegue — não tem meio termo. Travar em contabilidade mata a entrevista antes de chegar em valuation ou M&A.

    O teste mais profundo é se você entende por que cada ajuste existe. Qualquer um decora 'soma a depreciação de volta na DFC.' Quem passa também sabe que o add-back existe porque depreciação é alocação não-caixa de capex passado, que depreciação societária difere da fiscal e gera imposto diferido, e que política agressiva de depreciação pode inflar EPS de curto prazo enquanto constrói passivo fiscal escondido.

    As três demonstrações, conectadas

    A DRE mostra rentabilidade ao longo de um período: receita menos despesas operacionais menos juros menos imposto = lucro líquido. Balanço é uma fotografia em um ponto no tempo: ativos = passivos + PL. DFC liga as duas: parte do lucro líquido, reverte itens não-caixa (D&A, SBC, imposto diferido), ajusta variações de capital de giro, depois soma fluxos de investimento (capex, M&A) e financiamento (dívida, equity, dividendos, buyback).

    • Lucro líquido vai a lucros acumulados. Lucro líquido menos dividendos aumenta lucros acumulados no balanço e é o topo da seção operacional da DFC.
    • Caixa final na DFC bate com caixa no balanço. Se não bater, o modelo está quebrado. É o primeiro sanity check em qualquer modelo de merger ou LBO.
    • Variações do balanço dirigem ajustes da DFC. Aumento de recebíveis = uso de caixa (cliente ainda não pagou). Aumento de pagáveis = fonte de caixa (empresa ainda não pagou fornecedores).

    Walkthrough de depreciação

    A pergunta clássica. 'Se a depreciação sobe US$10 com alíquota de 35%, walk me through as três demonstrações.' DRE: EBIT cai US$10, impostos caem US$3,50, lucro líquido cai US$6,50. DFC: lucro líquido cai US$6,50, soma de volta US$10 de D&A, caixa operacional sobe US$3,50. Balanço: PP&E cai US$10, caixa sobe US$3,50, lucros acumulados caem US$6,50. Fecha.

    Impacto nas três demonstrações de +US$10 de depreciação (alíquota 35%)
    DRE
      EBIT             -US$10,00
      Impostos         -US$3,50
      Lucro Líquido    -US$6,50
    
    DFC
      Lucro Líquido    -US$6,50
      + D&A            +US$10,00
      Δ Caixa Op       +US$3,50
    
    Balanço
      Ativo:    PP&E   -US$10,00
                Caixa  +US$3,50
      PL:       LA     -US$6,50
      Check:    Δ Ativo = -US$6,50  =  Δ PL

    Capital de giro e a armadilha de caixa

    Capital de giro é ativo circulante menos passivo circulante. Capital de giro operacional — recebíveis + estoque − pagáveis — mede o que as operações amarram na cadeia. Empresas em crescimento consomem capital de giro: precisam de mais recebíveis e estoque antes de o cliente pagar, e essa demanda de caixa frequentemente excede o lucro reportado.

    A armadilha de caixa é quando o lucro reportado é positivo mas o caixa operacional é negativo porque o capital de giro está explodindo. Bankers testam isso porque é o indicador antecedente de distress em negócios lucrativos.

    Imposto diferido explicado

    Imposto diferido vem de diferenças temporárias entre contabilidade societária e fiscal. Fonte clássica é depreciação: o fisco tipicamente permite depreciação acelerada, então o lucro tributável é menor que o societário no começo da vida do ativo, gerando passivo de imposto diferido (DTL). O DTL reverte quando a depreciação societária supera a fiscal.

    Ativos de imposto diferido funcionam ao contrário: NOL carryforwards, despesas accrued não dedutíveis, timing de SBC. DTAs ficam no balanço até a diferença temporária reverter, momento em que reduzem o pagamento de imposto naquele período futuro.

    Estoque e FIFO vs LIFO

    Estoque é registrado a custo no balanço e move para COGS quando vendido. A convenção contábil controla qual custo move. FIFO assume que o estoque mais antigo sai primeiro; LIFO, o mais novo.

    Em custos crescentes, FIFO mostra COGS menor e lucro líquido maior, enquanto LIFO mostra COGS maior, mais escudo fiscal e lucro reportado menor. LIFO é permitido em US GAAP mas não em IFRS. Comparações cross-border exigem converter LIFO para FIFO via reserva LIFO em notas explicativas.

    Emissão de dívida e mecânica de juros

    Emitindo US$100 de dívida a 8% com alíquota de 35%. Emissão: caixa sobe US$100, dívida de longo prazo sobe US$100, sem impacto na DRE. Ano 1, juros: despesa de juros US$8, lucro pré-imposto cai US$8, impostos caem US$2,80, lucro líquido cai US$5,20. DFC: caixa operacional cai US$5,20 (juros pagos em caixa). Balanço: caixa cai US$5,20, lucros acumulados caem US$5,20.

    O principal fica no balanço até o vencimento. O benefício do escudo fiscal — juros são dedutíveis — é o que faz WACC ser menor que cost of equity e é o motor por trás dos retornos de LBO.

    Recompra de ações

    Recomprar US$100 não impacta a DRE no momento. DFC: US$100 saem na seção de financiamento. Balanço: caixa cai US$100, ações em tesouraria sobem US$100 (conta retificadora de PL, então aumento reduz PL total). Ações diluídas em circulação caem, aumentando EPS futuro mecanicamente.

    Buybacks são uso popular de capital quando administração acha que as ações estão subavaliadas ou não há reinvestimento de retorno alto. Também são tax-efficient versus dividendos em muitas jurisdições.

    Erros mais comuns em entrevistas de contabilidade

    • Esquecer do tax-effect. Quase todo walkthrough multi-demonstração exige aplicar alíquota marginal ao impacto da DRE. Pular isso é a causa #1 de walkthroughs falhos.
    • Esquecer do add-back não-caixa. Quando lucro líquido cai por item não-caixa (D&A, SBC, write-down), a DFC tem que somar de volta. Senão o balanço não fecha.
    • Confundir GAAP e fiscal. Depreciação societária e fiscal diferem. Lucro pré-imposto não é o mesmo que lucro tributável. A ponte é o imposto diferido.
    • Tratar buyback como evento da DRE. Buyback é evento de balanço e DFC. Afeta EPS só pelo share count, não pelo lucro líquido.
    • Trocar sinais de capital de giro. Aumento de recebíveis = uso de caixa (ajuste negativo na DFC). Aumento de pagáveis = fonte de caixa. Trocar sinal quebra o modelo.

    Exemplo guiado: walkthrough de ano completo

    Imagine uma empresa com US$1B de receita, US$200M de EBITDA, US$50M de D&A, US$30M de juros, alíquota 25%, sem variação de capital de giro, US$40M de capex, US$20M de dividendos. DRE: EBIT US$150M, pré-imposto US$120M, imposto US$30M, lucro líquido US$90M. DFC: lucro líquido US$90M + D&A US$50M = US$140M operacional; capex US$40M investimento; dividendos US$20M financiamento; variação líquida de caixa = US$80M. Balanço: PP&E cai US$50M de D&A mas sobe US$40M de capex (líquido −US$10M), caixa sobe US$80M, lucros acumulados sobem US$70M (US$90M lucro − US$20M dividendos).

    Variação total de ativos = +US$80M − US$10M = +US$70M. Variação total de PL = +US$70M (lucros acumulados). Sem variação de dívida. Fecha.

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